Banda Boaventura!
Olha só, meu Deus!
Que coisa supimpa!
Em longínquas épocas, com a orbe acondicionada de maneira diversa à de hoje –sim, pangéia- os sons e a música não eram caprichos do reino animal, mas uma resposta gutural de reações da Terra.
Ouvia-se alguns sons fistulosos, apesar da configuração do planeta, e assim definiu-se o que seria e o que não seria audível aos ouvidos animais. Teóricos e musicistas respeitados como Alejandro Guiné, Valfernando Cabrunha de Freitas, Massimo LeLeLePonci e Jussaremo de Opelé respeitam esta tese e eu estou com eles.
Mas por quê digo isso? Eu explico, Seu Alexandro.
Horta Guerreiro, famoso mecenas tupiniquim falecido nos anos 80, apadrinhou o que seria a principal potestade da Banda Boaventura: O Movimento Etéreo da Redúvia Boseira das Antilhas (MERBA, na sigla), uma companhia de teatro atrabiliária que fazia números de dança com cães de rua, encenações para escolas com animais confiscados pelo IBAMA e outras infucas.
O milionário bancou todas as viagens do grupo e de um instante a outro o MERBA viajou por todo o país. O calendário da CIA estava gordanchudo e eles estavam felizes pra caralho. Eventualmente, eles vieram até São Paulo, cidade esta que os atores mantiveram-se a seus talantes, e morada da Banda Boaventura.
O grupo MERBA se apresentou no estacionamento do Supermercado Koiza Balata, logo ao lado da estação de trem Vitálio Pessoa, e por sorte, os rapazes da Banda Boaventura lá estavam fazendo suas compras para o carnaval quando reparam na intensa movimentação dos locais.
Pubos, porém curiosos, os integrantes largaram suas latas de óleo, os pneus e o televisor de 12 polegadas para irem de encontro ao que seria o estopento necessário para a criação da banda.
Não devo escrever este texto elogiando o MERBA, pois eles não merecem. Escrevo para falar de Boaventura, banda que vai ao âmago da Música Impopular Brasileira e coloca-se ao lado de outros grupos preponderantes que tentam resgatar a música da Idade do Não Tem Nada No Planeta, Mano.
Para imergirem nas canções da Banda Boaventura, apenas ouça sem preconceitos. Músicas de camadas, canções de seresta invertida e suco de frutas entrelaçam-se na alfúgera falgoseira que é -e sempre será- a música.
[ Dizem as más línguas que Kraftwerk e Syd Barrett invejavam tais pundonorosos meninotes. ]
Despeço-me comendo manteiga sem sal.
Botelho Grandão é jornalista, taxidermista, conselheiro espiritual, desenhista de plataforma de petróleo e escreve às quintas na coluna Muzica Serta pra ser Ovida do Jornal Rebusno de S. Leopoldo.
Banda Boaventura - Putz, Socorro!
Tracklist:
01 - a buçanha do teclado
02 - cynar vai te matar
03 - o tempo e o espaço
04 - roque 1
05 - roque 2
06 - roque 3
07 - roque 4
08 - sucrilhos
09 - vestibular
10 - wah
11 - calouros orientais (com a participação de mfl)
Download:
Banda Boaventura - Putz, Socorro!
